Clotilde & Bernardim

28.7.15


Quando comecei a escrever este blog, fiz muitas listas de terminações. Na altura, era um bocadinho inocente e achava que eram muito úteis: "se as pessoas gostam tanto de Carolina e Catarina, talvez se possam entusiasmar com outros nomes terminados em -ina". Hoje, a experiência diz-me que isso não é garantia de nada, mas continuo a adorar percorrer as listas de nomes à procura de alternativas. Há uns dias trouxe-vos o nome Camélia e hoje lembrei-me de Clotilde & Bernardim
Matilde & Bernardo seriam um par perfeito e nem deve ser difícil encontrar irmãos com estes nomes mas encontrar dois pequenitos chamados Clotilde e Bernardim seria de nos deixar de olhos esbugalhados! Bernardim, que foi registado uma vez em 2014, parece menos datado do que Bernardino e vai ao encontro de nomes como Valentim e Benjamim; Clotilde, que significa "afamada", tem algumas semelhanças com Clara e até com Cloe e Cloé que em 2014 chegaram aos 17 registos... Mas Clotilde não foi registado nenhuma vez no ano passado! 
Parece que lhes falta "um bocadinho assim"... 

Duarte

27.7.15


Tivesse eu dez filhos e um deles chamar-se-ia Duarte, de certeza absoluta! Gosto tanto, que nem sequer a popularidade atual seria um problema - e, como tão bem sabem, isto diz imenso sobre os meus sentimentos por Duarte! O fascínio face a este nome é antigo, mas acentuou-se quando me apercebi que é dos poucos nomes que praticamente só se usam em Portugal. Trata-se de uma variante portuguesa de Eduardo ["guardião glorioso"], através do francês Édouart, que também originou Eduarte que, entretanto, caiu completamente em desuso. 
No Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, José Pedro Machado indica que, muito possivelmente, o primeiro português a receber este nome foi o rei D. Duarte e que o nome foi escolhido em homenagem a Eduardo III de Inglaterra, o avô de sua mãe, D. Filipa de Lencastre. Assim começou o uso de Duarte, que nunca mais caiu no esquecimento mas o nome está em franca ascensão desde 1997, altura em que entrou no top 50. Em 2010 alcançou pela primeira vez o top 20, em 2013 ultrapassou os mil registos anuais e em 2014 já ocupava a 8.ª posição do ranking de nomes masculinos mais utilizados em Portugal, sendo alvo de 1244 registos. Feitas as contas, foram registados 13,800 entre 1990 e 2014, o que é um número bastante significativo! 
Encaro Duarte como um nome de uma extrema simplicidade, o que, para mim, é o sinónimo mais inequívoco de elegância; além do mais, é tipicamente português. Dá para pedir mais?

Os meus queridos leitores do Brasil não são efusivos quanto a Duarte porque por lá é quase exclusivamente sobrenome. Aqui também é apelido [era, aliás, um dos apelidos do meu avô paterno], mas não é dos mais  populares. Esta condição de nome próprio/apelido verifica-se com outros nomes que se usam bastante no momento, como Santiago, Afonso, Salvador, Vicente, Lourenço ou Xavier. Há nomes brasileiros que também tenham esta dupla função?
  

Filhos dos famosos 2015 - Elisa

24.7.15


Nasceu a pequena Elisa, filha do ator português Manuel Marques, que vem fazer companhia à irmã, Inês. 
Elisa é um nome que eu não ouço com frequência em bebés mas, ao longo dos últimos 20 anos, não se tem afastado muito do top 100. No entanto, sabemos que este resultado não é sinónimo de muitos registos anuais - nasceram apenas 31 meninas com este nome em 2014! 

Alguns comediantes portugueses têm feito escolhas surpreendentes: assim de repente, lembro-me do Nilton, que é  pai de um menino chamado Noah, e do o Zé Diogo Quintela, que tem uma menina chamada Rosa! 

Os obcecados por nomes e os Pares Perfeitos

23.7.15


O Nomes e mais Nomes foi pensado para ser um espaço vocacionado para name-nerds mas, à medida que se foi popularizando, foi perdendo um pouco desse obscurantismo. Felizmente, algumas comentadoras habituais continuam a estimular essa vertente e, de vez em quando, sinto vontade de pôr de lado o pragmatismo e de olhar para os nomes através da lente de uma pessoa verdadeiramente obcecada por nomes, regendo-me por regrinhas imperativas, tais como:

  • Número de sílabas tem de ser semelhante. Nomes curtos com nome curtos, longos com longos. 
  • Nomes têm de ter o mesmo nível de popularidade. E quanto menos populares, melhor!
  • Nomes não podem rimar. De. Maneira. Nenhuma. 
  • Nomes têm de ser do mesmo estilo. E remeter para a mesma época. Se tiverem a mesma origem é apenas bónus. Se houver um tema a uni-los é o auge!
  • Se um filho tem um nome composto, o outro também deverá ter. E derramo lágrimas por não podermos escolher três nomes próprios. Ou quatro! O céu devia ser o limite e a Uma Thurman é a nossa deusa suprema!
  • Não há nomes demasiado estranhos. Há apenas falta de compreensão! 
  • Nome de velho é um elogio. Tal como arcaico, empoeirado e "ninguém usa isso!"

É claro que abro excepções para algumas destas regras e, quando estou a acompanhar os leitores durante o seu processo de escolha do nome, sou bem mais relaxada mas, quando estou com o meu nerd mode: On, sou implacável! :) 

E desse lado, quais são as regras mais picuinhas que seguem? E quais são os Pares Perfeitos que vos deixam a suspirar? 


Aura

22.7.15



Post publicado originalmente a 6 de Abril de 2011

Aura significa  "sopro" ou "brisa" em Latim. Hoje, falamos de aura associando-a à espiritualidade, a algo que emanamos, chegando mesmo a atribuir cores à aura. Aura Violeta, por exemplo - que, aparentemente, é uma óptima cor para se ter. Com Laura no 18.º lugar dos nomes mais usados em Portugal em 2010, Aura pode muito bem ser uma alternativa valiosa. Uma espécie de compromisso entre Aurora, Aurélia e Áurea. Para algumas pessoas, poderá ser demasiado associado ao paranormal; para outras, é exactamente esse  o fascínio do nome. E para vocês?

Desde 2011, foram registadas sete meninas com o nome Aura, quatro das quais em 2014. E se em 2011 eu já achava que Aura tinha imenso potencial, hoje, tal como já o disse acerca de outros nomes mais poéticos que tenho vindo a abordar nos últimos tempos, acho que este é o momento para olharmos com carinho para Aura. 

Nomes surpreendentes

21.7.15



Já falamos por aqui sobre os chamados nomes virtuosos mas, se não estou em erro, nunca me tinha deparado com uma pessoa chamada Virtude! Tenho conhecimento da utilização do composto Maria das Virtudes, que se trata de mais uma invocação a Nossa Senhora, mas Virtude Maria surpreendeu-me! Já tinham ouvido este nome? 

Se virem um nome invulgar que queiram partilhar nesta rubrica de Nomes Surpreendentes, enviem uma foto para nomesportugueses@gmail.com e eu terei todo o gosto em publicar!

Antipatia face aos nomes modernos

20.7.15


Da última vez que abordamos por aqui os nomes que detestamos, a conversa estava centrada na questão da conotação social do nome e deu pano para mangas. Agora, porém, gostava de levar o debate para a onda de antipatia que parece rodear os nomes modernos. Comecemos por este excerto que acho genial: 

"Em certas populações ameríndias, as pessoas possuem um património antroponímico que protegem, transmitem, aumentam ou perdem; os nomes pes­soais condensam valor e são objecto de propriedade (cf. Lopes da Silva 1986). Da mesma forma, os juristas portugueses constituíram o curioso conceito de “património onomástico nacional” (Pimenta 1986) – como se os nomes próprios em português constituíssem um valor de tipo cultural, parecido com a arte ou a arquitectura pública. Este conceito está por trás da noção quase universalmente consensual de que é colectivamente errado permitir às pessoas que atribuam nomes novos aos seus filhos – um crime parecido com montar janelas de alumínio brilhante num edifício medieval." 



Sentem ou não este preconceito face aos nomes novos? Somos hoje mais retrógrados e menos tolerantes em relação aos nomes? Quem escolhe um nome que foge ao tal "património onomástico nacional" compromete, de alguma forma, o bem-estar da criança? Sentem que os pais que optam por um nome diferente são demasiado julgados? 


- Duelo de nomes -
Caetana vs Carminho

16.7.15


O duelo de hoje pode provocar alguma estranheza aos visitantes brasileiros, pouco habituados a estes dois nomes. Contudo, em Portugal, Caetana e Carminho têm cada vez mais adeptos e arriscaria dizer que, dentro de poucos anos, já poderão estar confortavelmente no top 50. Apesar de serem nomes tão diferentes entre si - Caetana é um nome muito forte, Carminho é muitíssimo delicado - têm um estilo semelhante, capaz de agradar a quem gosta de nomes como Carlota e Constança. Mais: provocam o mesmo tipo de reacção extremadas que estes dois últimos nomes costumam provocar, sendo amados por uns e odiados por outros. A verdade é que os números não mentem e estes nomes que tão cedo não vão desaparecer das creches portuguesas. 
Qual é o vosso preferido: Caetana ou Carminho? Não deixem de votar! 

Atualização - resultado da sondagem: 



Filipa

15.7.15


O post de hoje tem de começar com uma ressalva: para mim, Filipa é o nome perfeito. Acrescento, porém, que não pretendo convencer-vos do mesmo, até porque a popularidade atual é algo que não me agrada nadinha e até já pensei em lançar uma campanha de desincentivação da sua escolha como segundo nome. 

Eu explico: Filipa é um nome popular em Portugal mas, felizmente, nunca se aproximou do topo do ranking e o seu melhor resultado foi em 1994, quando ficou colocado na 19.ª posição, com 733 registos. Desde então, tem sido cada vez menos escolhido e, em 2014, ocupou a 53.ª posição, sendo alvo de 146 registos. O problema é que, como segundo nome, ultrapassou a marca dos mil registos, sendo usado em mais de cem combinações diferentes, podendo ser considerado um segundo nome altamente previsível, a par de Sofia. Feitas as contas do número de registos como primeiro e segundo nome, foi o 9.º nome feminino mais registado em 2014. O lado positivo da coisa é que, muito possivelmente, destas mil e tal meninas, poucas serão tratadas por Filipa!

O uso de Filipa em Portugal remonta à Idade Média. D. Filipa de Lencastre foi rainha consorte entre 1387 e 1415 e, desde essa altura, é fácil encontrar registos de Filipas mas, na primeira metade do século XX, não era comum; foi reaparecendo em 1960 e, entretanto, estabeleceu-se como um clássico contemporâneo. 

Filipa e Filipe têm origem no grego Phílippos e significam "amigo do cavalos". Sei que a minha opinião não pode ser considerada isenta, mas acho mesmo que é um nome muito bonito, com uma sonoridade fresca e jovial, e acho que vai continuar a usar-se nas próximas gerações. Pessoalmente, adoro os diminutivos Lipa e Pipa - sim, admito que toda a gente gosta de fazer brincadeiras com a palavra pipa, mas sempre as considerei inofensivas! 


Filhos dos famosos - Laura

14.7.15


Nasceu a pequena Laura, filha da Mónica Lice, autora do blog Mini-Saia

Há uns meses, ao anunciar o nome escolhido para a bebé, a Mónica recomendou o Nomes e mais Nomes e a sua enorme visibilidade tem trazido muitos visitantes até aqui. Foi um gesto extremamente simpático, que não se vê todos os dias na blogosfera portuguesa!

Paz

9.7.15



A etimologia e a popularidade de um nome são aspectos importantes para quem se interessa por nomes mas, para o comum dos mortais, são critérios absolutamente prescindíveis, meras curiosidades que não têm grande influência na escolha de um nome. As escolhas guiam-se muito mais por tradição do que por significados, e por modas, muito mais do que por homenagens a familiares ou a figuras admiráveis. 

Observando o mundo que nos rodeia, a partilha intensa do nosso lifestyle, as mensagens inspiradoras que publicamos a toda a hora, sinto que havia espaço para transportarmos toda esta energia positiva para o nomes. Pensemos, por exemplo, no nome Paz. Enquanto substantivo, tem uma enorme carga emotiva, aspiracional, que transmite muita tranquilidade. Não vejo um único defeito que se lhe possa apontar, não consigo imaginar brincadeiras nem rimas parvas. E se Serena está às portas do top 100, se Vitória agrada tanto, e se nos encantamos por nomes tão pouco tradicionais como Noa ou Íris, acho que podemos encarar Paz como um nome próprio muito agradável!
Em Portugal, é possível registar Paz como primeiro nome, mas não houve quem o fizesse em 2014; contudo, o composto Maria da Paz foi registado em quatro meninas e poderá ser uma opção interessante para os que gostam de Paz, mas que têm receio de ser demasiado simples. Eu acho que parte da sua beleza reside precisamente aí, mas isso é uma questão de gosto!


Pedro

7.7.15


Pedro é um nome muito comum em Portugal, presente em várias gerações, mas cujo uso se avolumou sobretudo na década de 90. É um dos nomes marcantes da História de Portugal, remetendo para uma extensa lista de personalidades, desde os nossos reis, navegadores, governantes e artistas, mas diz-se que Pedro e respectivas variantes se propagaram por todo o mundo graças ao Apóstolo S. Pedro. O nome  tem origem grega, mas chega-nos pelo latim Petrus - que dá origem a Petra -, significando "rochedo" ou "pedra". Na Idade Média, também era possível encontrar Pero e a lista de nomes admitidos em Portugal também permite o uso de Pedrino. 

Nomes complicados para as crianças?

6.7.15


Durante muito tempo, não havia bebés à minha volta mas, felizmente, num ápice, começaram a nascer, fortes e saudáveis. Ou seja, de um momento para o outro, as conversas tomaram outro rumo e dou por mim a debater coisas de que nada entendo, como um possível atraso na fala. Sinceramente, não sei muito bem quando é que um bebé começa a falar, mas parece-me que aquela coisa do "ao ano andante, aos dois falante" não é assim tão linear. Isto também não é coisa para me tirar o sono mas ontem ouvi uma grávida dizer que tinha descartado um nome masculino [que até está no top 10 de 2014] porque não queria que o menino só viesse a conseguir dizer bem o seu próprio nome por volta dos cinco anos. Fiquei com imensa vontade de interpelar a pessoa para aprofundar o assunto mas não tenho o hábito de abordar estranhos nas esplanadas e, por isso, remeto-vos a pergunta: é assim tão importante que a criança saiba pronunciar o seu nome de forma perfeita o mais cedo possível? Deixariam de usar um nome considerado "normal" com receio de que a criança demorasse a dizê-lo? 

Já tenho lido que o meus amados Frederico & Frederica são impróprios para as outras crianças pronunciarem, mas acho que foi a primeira vez que ouvi alguém dizer que deixou de usar um nome por ser complicado! Haverá aqui um problema que me tem escapado?

Aléxis

5.7.15



Publicado originalmente a 19 de Julho de 2013

Apesar de não estar presente na minha mais recente lista de nomes favoritos, simpatizo muito com o nome Alexandre. Acho que é um clássico contemporâneo, propício a diminutivos divertidos para uma criança e bastante respeitável num adulto. Não dá nas vistas, não causa grande surpresas, mas também não deverá ser alvo de grande contestação. As modas vão passando por ele e ainda que nunca se tenha aproximado do topo do ranking, continua a usar-se: foi 37.º em 2011, com 423 registos, posição que manteve em 2012, com 370. Na minha opinião, a grande desvantagem de Alexandre é ser abundantemente usado como segundo nome, à semelhança do que acontece, por exemplo, com Filipe, situação que, a meu ver, acaba por desvalorizar estes nomes. Ora, se gostarmos de Alexandre mas considerarmos que está ligeiramente ultrapassado, podemos interessar-nos por Aléxis, que é uma espécie de alternativa mais moderna e internacional (o acento não é opcional em Portugal). 
Em muitas culturas, Aléxis é um nome unissexo, que deriva do grego Alexo ("defensor") e que também dá origem a Aleixo e Aleixa (este último é aprovado em Portugal). Há quem defenda que começou por ser um nome feminino, há quem defenda precisamente o contrário, mas a verdade é que internacionalmente, é fácil encontrá-lo nos dois sexos. No nosso país, o nome consta da lista de aprovados, mas não há nenhuma indicação quanto ao género, pelo que parto do princípio que também poderá ser usado quer por meninas, quer por meninos. Quanto a mim, já é indiferente e se ouvisse chamar "Aléxis!" não teria expectativas quanto ao género do seu portador. 
E desse lado, o que pensam de Aléxis?

O homem e o apelido da mulher

30.6.15


Apesar de ser louca por nomes próprios, não tenho particular interesse no que respeita aos apelidos. Ainda assim, gostava de deixar aqui o link para um artigo do Diário de Notícias que dá conta de que, no ano passado, 1422 homens optaram por adoptar o nome de família da mulher. Conhecendo os hábitos de nomeação em Portugal desde a Idade Média, e sabendo da importância dos patronímicos, é uma mudança bastante significativa! 

Quando casei, mantivemos os nomes de solteiros e não consigo sequer imaginar-me a deixar para trás os apelidos que me acompanham há tantos anos, em prol do nome de família do meu marido -  e não tem nada a ver com o facto de me sentir [ou não] parte integrante daquele núcleo familiar! No meu círculo de amigos, também não é uma prática comum mas a notícia diz-nos ainda que mais de 40% das mulheres que casaram em 2014 escolheram ficar com o apelido do marido. E se nos lembrarmos que em 2010, apenas 3% dos bebés registados tinham como último apelido o nome de família materno, percebemos que as tradições ainda se mantêm muito enraizadas. 


Desse lado, houve troca de apelidos? Pensam nessa possibilidade? E o que acham da hipótese de o homem adoptar o apelido da mulher? 


Nomes da semana
- Telma & Humberto -

26.6.15

Telma Monteiro

A semana está a chegar ao fim e é hora de olhar para alguns nomes que estiveram em destaque nos últimos dias. Com a assinatura do contrato de compra e venda da TAP, na passada quarta-feira, multiplicaram-se as notícias sobre o empresário Humberto Pedrosa e ontem, a judoca Telma Monteiro venceu a medalha de ouro nos Jogos Europeus que estão a decorrer em Baku, no Azerbaijão. Telma & Humberto são nomes comuns em Portugal mas estão longe do topo da lista de nomes mais registados em bebés. 

Humberto, que em 2014 apenas foi registado três vezes, é um nome familiar aos portugueses sobretudo por causa de Humberto Delgado, o "General sem Medo". Já vi quem o escrevesse sem H, talvez por associação ao italiano Umberto Eco e, de acordo com José Joaquim Nunes, em Os nomes de baptismo, sua origem e significação, "se acha escrito sem H" nos nossos antigos documentos. É um nome de origem germânica e significa algo entre "gigante ilustre" e "brilhante pela força". Também se lhe reconhece o diminutivo Humbertino. 

A Telma Monteiro nasceu em 1985, numa altura em que o nome Telma se começava a ouvir com alguma frequência em Portugal. Em 1990, foram registadas 304 meninas com este nome, o que colocava Telma na 48.ª posição do ranking, entre Marlene e Isabel. A partir dessa altura, a popularidade começou a diminuir e nem o filme "Thelma & Louise" ajudou a parar a descida. Hoje, fica-se pela 163.ª posição e pelos 17 registos. Tem origem em Santo Elmo, graças à aglutinação Santelmo. Elmo, por  sua vez, tem origem na expressão latina  "lumen sancti elemi" e, ao que tudo indica, significa "protecção". O Santo Elmo [também conhecido por Santo Erasmo] é o padroeiro dos Marinheiros, e serviu de inspiração para nomear o fenómeno atmosférico Fogo-de-Santelmo, referido inclusivamente na literatura portuguesa por Gil Vicente e Luís de Camões. Para acrescentarmos mais um nome a isto tudo, refira-se que, na Antiga Grécia, este fogo era chamado de Helena, que significa "brilhante". 

Bom fim-de-semana! 

Filhos dos famosos - Leonor & Lucca

25.6.15

Fernanda Machado


  • Leonorfilha de Jéssica Augusto
  • Lucca, filho da atriz brasileira Fernanda Machado
  • Atticus Jamesfilho de Jennifer Love Hewitt, que já era mãe de uma menina chamada Autumn James
  • Rafael Thomas, filho de Alec Bladwin, que já era pai de Carmen Gabriela e Ireland 
  • Qirin Love, filho de Terrence Howard, que já era pai de Aubrey, Heaven e Hunter
  • Andy Rose, filha de Jack Osborn, que já era pai de Pearl Clementine

Na altura do nascimento da Pearl Clementine, achei a escolha do nome maravilhosa, mas acho que Andy não tem o mesmo impacto... 

Melina, Melinda & Melissa

23.6.15


Nos primórdios do blog, um dos nomes mais procurados por aqui era Mel. Na altura, o facto de ser apenas aprovado como nome masculino gerava alguma polémica e, perante a impossibilidade do registo, costumava sugerir o uso de Melissa como alternativa. Em 2009 e 2010, eu ainda não tinha acedido à lista completa de registos em Portugal e estava longe de imaginar que, então, Melissa já tinha ultrapassado os cem registos anuais! Mais: Melissa está no top 100 desde 1996 e, desde essa altura, tem tido resultados muito estáveis em torno do top 70. Em 2014, Melissa ocupava a 61.ª posição do ranking, chegando aos 112 registos. Não é um número brutal [foram registadas 3323 em 24 anos] mas é o suficiente para se ouvir aqui e acolá, fazendo com que o nome perca alguma frescura.

Sabendo que Melissa já não é um  nome surpreendente e sabendo que Amélia é uma das tendências do momento, parece-me altura de voltar atenções para outro nome muito bonito e que ainda é pouco usado em Portugal. Estou a falar de Melina, que foi registado apenas três vezes em 2014!
Quando vi a sugestão da Joana Santos para abordar Melina e Melinda e percebi que nunca tinha feito um post inteiramente dedicado a Melina, nem quis acreditar, porque é um nome de que gosto mesmo muito! Melina é ultra delicado, parece-me moderno e fresco e, ao mesmo tempo, romântico e suave! Adoro, adoro, adoro!
Ao que parece, Melina tem origem no grego Amelina, que também é aprovado em Portugal. No entanto, também se lhe apontam raízes germânicas, a partir de Emmeline. O significado é que deixa um pouco a desejar... "Marmelo amarelo" não é, definitivamente, a coisa mais poética que já ouvi...
Acho que se há um momento certo para usar o nome Melina, esse momento é agora. Para além da referência a Amélia, lembremo-nos também de Valentina, que já está às portas do top 50 e que, como já vimos, está em alta no Brasil, o que costuma reflectir-se por cá!

Quanto a Melinda, também me agrada, mas a terminação em -inda remete-me para nomes que estão fora de moda. Não acho que seja o caso concreto de Melinda, até porque praticamente não tem tradição em Portugal e não o associo a ninguém em particular, mas, face a Melina, não me parece tão encantador.


Nomes Espanhóis
- Os mais populares de 2014 -

22.6.15


Pelo segundo ano consecutivo, Lucia & Hugo são os nomes mais populares entre os bebés nascidos em Espanha, de acordo com os dados do INE, relativos ao ano de 2014. 
Na lista masculina, Dylan subiu 38 posições, Martin subiu 12 posições, Oliver subiu 10. No ano passado, tinha dado conta da entrada de Enzo no top 100 directamente para a 55.ª posição e a verdade é que continua imparável, subindo desta vez até à 36.ª posição! Saliente-se ainda as novas entradas de Julen, Abraham, Aimar e César
Do lado feminino, Valentina e Vera continuam a ascender no ranking, Alma e Elsa também, tal como Chloe e Mia, Ona e Nahia. As novas entradas ficam a cargo de Lia, Elia e Fátima mas o destaque vai todinho para o recém-chegado Triana, que alcançou a 58.ª posição - o nome teve bastante mediatismo por causa de uma concorrente do programa La Voz Kids. 
Aqui ficam os 50 nomes mais usados em Espanha em 2014: 


Atualização da lista de nomes aprovados em Portugal

18.6.15

A lista oficial de nomes aprovados em Portugal,divulgada pelo Instituto dos Registos e Notariado, foi atualizada e estipulou-se agora que o nome Raul não deve ser acentuado. Até ao momento, a versão aprovada era Raúl e poderá ler mais sobre este nome aquiOutra novidade passa pelo nome Zoé, que também já foi abordado aqui, que até agora constava da lista como nome masculino, informação que foi rectificada, sendo agora considerado como nome feminino
Até ao momento só detectei estas alterações mas amanhã vou explorar a lista de forma mais minuciosa. 

Filhos dos famosos 2015: Nicolas Paul Gustaf

17.6.15


Já foi divulgado o nome do segundo filho da princesa Madalena da Suécia: Nicolas Paul Gustaf. O menino vem fazer companhia à irmã Leonore Lilian Maria

O que acham do conjuntinho Leonore & Nicolas? Acham que em Portugal Nicolau poderia ser um par perfeito para Leonor

Nomes mais populares no Estado de S. Paulo
no primeiro semestre de 2015


O ano de 2015 ainda vai a meio mas o Nomes e mais Nomes já pode divulgar quais são os nomes mais registados até ao momento no Estado de S. Paulo, no Brasil, de acordo com os dados muito gentilmente cedidos ao blog pela Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de S. Paulo. Até agora, tudo parece encaminhado para que se repitam os resultados de 2013 e 2014. Sem surpresas, Maria & Davi ocupam os lugares cimeiros da tabela, mas o destaque vai obrigatoriamente para as subidas de Bernardo & Valentina. Bernardo ficou na 26.ª posição do ranking anual de 2014 mas, neste momento, ocupa a 16.ª posição! E por esta altura, penso que já não restam grandes dúvidas - Valentina é o nome da moda no Brasil e, nestes primeiros meses do ano, já foram registadas no Estado de S. Paulo mais de 2200, ficando a mil registos do total alcançado ao longo de todo o ano de 2014! 


Neste primeiro semestre, além de Bernardo e Valentina, nomes masculinos como Arthur, Lucas, Samuel, Lorenzo, Heitor, Pietro e José e os femininos Helena, Emanuelly, Luiza, Lívia e Heloísa, estão numa posição melhor do que a alcançada no ranking de 2014 mas é claro que, até ao final do ano, tudo pode acontecer! 

E agora, um desafio: quem adivinha quais são os nomes que ocupam a 31.ª posição? 

Domingas & Domingos

16.6.15


Farto-me de ouvir histórias enternecedoras acerca das professoras primárias mas, com muita pena, não tenho nenhuma para contar. Durante quatro anos, tive mais de oito professoras; umas reformaram-se, outras engravidaram e os períodos intermédios foram ocupados por professoras que iam e vinham, sem deixar grandes saudades. Os meninos da sala ao lado, contudo, tinham outra sorte. A Professora Maria Domingas era uma querida, sempre sorridente, amável e muito meiguinha! Inevitavelmente, é essa a imagem mental que tenho do nome Domingas, com que simpatizo muito mais do que com a versão masculina e muito mais comum, Domingos. Existirá alguém que não conheça um senhor de meia-idade chamado José Domingos ou João Domingos?
O nome tem origem na expressão latina dies dominicus ou "o dia do Senhor" e é um nome com alguma relevância para os Católicos, alguns dos quais o escolhiam para os filhos nascidos ao Domingo. A versão feminina não se conseguiu impor em Portugal e em 2014 já nem sequer foi registado como primeiro nome, enquanto que foram registados nove Domingos. 
Domingos & Domingas estão relacionados com Domínico e Domitília, que constam da lista do IRN. Se bem que nenhum dos quatro é propriamente apelativo nos dias de hoje, Domingos é um nome com muita tradição em Portugal e não me pareceria de todo descabido que daqui por uns anos se voltasse a ouvir. Domingas, por seu lado, apela-me mais porque conheço pouquíssimas, apesar de se usar desde os tempos medievais, e acho que faz sentido junto de nomes como Caetana, Constança ou até mesmo Maria do Carmo. É uma questão de enquadramento!

Tristana & Tristão

15.6.15


Um dos meus nomes medievais preferidos é Tristão mas sei bem que as reacções a este nome são maioritariamente más, sobretudo pela associação a "muito triste". Originalmente, este nem sequer era o significado do nome, que tem origem em Drustan e, por isso, significaria "tumulto". Contudo, a grafia foi-se alterando por assimilação à palavra latina Tristis e, como tal, a associação é mais do que inevitável. Na verdade, o significado até poderia ser "homem mais feliz do mundo" e nem isso nos  afastaria do conceito de  tristeza sempre que ouvíssemos ou lêssemos Tristão, certo?

Mas adiante, que hoje o nome do dia é outro e a pergunta que se impõe é a seguinte: se pelo seu carácter literal, Tristão é indissociável do sentimento de inquietação, o que pensam de Tristana? O nome poderá soar familiar a quem conhece a filha do escritor Miguel Esteves Cardoso, que até costuma aparecer nas revistas cor-de-rosa e, apesar de não ser nada comum em Portugal, é relativamente conhecido em Espanha, graças ao romance Tristana de Benito Pérez Galdós, cuja adaptação ao cinema foi candidata ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1970. 
Muitas vezes, quando menciono Tristão, respondem-me que preferem a variante Tristan e, nesse caso, será que Tristana se torna mais usável? Na minha opinião, é um nome bastante interessante e apesar de não ter certezas quanto à sua aprovação, não hesitaria em recomendá-lo a quem procura um nome diferente mas que não fuja em demasia à estrutura normal dos nomes portugueses. 
Se eu vos apresentasse Tristana como alternativa a Caetana, achavam que tinha perdido o juízo? 

Rosa - OK ou KO?

14.6.15


Se encaramos a temática do uso dos nomes em Portugal com seriedade, sabemos perfeitamente que as escolhas do momento vão obedecendo a critérios temporais difíceis de contornar e que a ideia de atribuir um nome datado a um bebé não é nada bem vista. Ainda assim, há momentos em que me interrogo se uma determinada tendência terá força suficiente para trazer de volta um nome que neste momento está engavetado na geração das tias e dos tios - que corresponde sempre à geração cujos nomes tentamos evitar a todo o custo. Pensemos, por exemplo, em Rosa.

Os nomes de 1920 estão na moda

Olhando para as tendências atuais, este seria o momento ideal para o seu regresso, já que alguns dos seus companheiros da geração de 1920 que caíram em desuso voltaram a usar-se: Laura e Alice estão muito bem posicionados em redor do top 20, Victória e Júlia rondam o top 50 e Amélia já está no top 100. Rosa está no grupinho que luta pelo acesso aos cem mais populares, juntamente com Emília, Olívia e Aurora.

Popular na geração horribilis

Contudo, há uma grande diferença: Emília e Alice, por exemplo, eram bastante populares entre 1920 e 1940, mas foram caíndo em desuso, o que não sucedeu com Rosa, que se manteve no top 10 até 1960 - a tal geração das tias que tanto nos assusta. Mais: em 1990, Rosa ocupava a 70.ª posição e, um ano depois, a 80.ª. Significa que é provável que em 1980 ainda rondasse o top 50, o que até vai ao encontro do ranking não-oficial que elaborei há uns anos e que o coloca na 38.ª posição. Rosa só viria a sair do top 100 em 1997 e, ainda assim, regressou em 1999 e 2001. 

Não se afastou do top 100...

Se Rosa parece estar em desvantagem por fazer parte do lote de nomes que consideramos demodé, a verdade é que não se afastou muito do top 100. Em 2012 chegou ao seu pior resultado [118.º] mas nos últimos anos inverteu a tendência de descida e, em 2014, ficou mesmo na 102.ª posição, com 35 registos.

Assimila-se aos nomes do momento

Como já vimos, se nos conseguirmos abstrair dos anos em que foi mais usado, Rosa seria um Par Perfeito para alguns nomes que são considerados atuais para os dias que correm. Por um lado, é tradicional, sem ser aristocrático, tendência que tem ganho relevo nos últimos anos. Por outro, é simples e remete para algo bonito e delicado, como Clara, Íris, Violeta ou Safira. 


Na vossa opinião, Rosa é um primeiro nome adequado para as bebés que estão a nascer? OK ou KO? Não deixem de votar! 


Atualização - resultado da sondagem:


Mirto - um nome feminino invulgar

12.6.15


Por sugestão da Maria Pilar, hoje abordo o nome Mirto, um dos poucos nomes femininos terminados em O. Aliás, começemos precisamente por aí: excluindo os nomes femininos terminados em -ão, como Conceição, e o óbvio Maria do Ó, estes são os nomes femininos terminados em -o passíveis de registo em Portugal:




No caso de Mirto, não é apenas a terminação que é invulgar, já  que o nome também é pouquíssimo comum entre os portugueses. Mirto é a forma culta de Murta que me remete de imediato para a Murta Queixosa, fantasminha das histórias do Harry Potter, cujo nome oficial é Myrtle Elizabeth. Literatura popular à parte, Mirto é um nome que encontramos na botânica [que não é o meu forte, mas podem ler mais e, sobretudo, melhor, aqui]. Trata-se de um arbusto muito aromático [é até utilizado na culinária e os seus óleos essenciais são incorporados em licores e perfumes], que dá bagos azulados e uma flor branca. E agora entramos na mitologia grega: Afrodite, deusa do Amor, era representada com uma grinalda de Mirto; também no Antigo Testamento as noivas usavam estas coroas, como símbolo da sua Pureza. Uma das subespécies desta planta é Lineu, de onde surge o nome feminino Lineia. E já que estamos a fazer associação de nomes, Mirto também é um dos significados apontados a Ester, através de Hadassa
Tal como já foi referido, não estamos na presença de um nome próprio nada comum e não encontrei nenhum registo de Mirto desde 2011. 

Filhos dos famosos portugueses
- os últimos nascimentos -

11.6.15

Bárbara Taborda



  • Benjamim, filho de Bárbara Taborda, que já era mãe de Constança
  • Paloma, filha de Marina Santiago
  • Pia, filha de Maria Guedes, que já era mãe de Manuel - abordamos aqui esta escolha tão pouco habitual 
  • Vitória, filha de João Moutinho, que já era pai de Lara



Nomes muito populares em Portugal nas últimas décadas

10.6.15


No dia de Portugal, olhamos para o selecto grupo de nomes que ultrapassaram a fasquia dos mil registos anuais, pelo menos uma vez, entre 1990 e 2014
No que respeita aos nomes femininos, há apenas três que conseguem o pleno: Ana, Maria e Inês. Na lista masculina, a proeza foi alcançada todos os anos por João, Miguel, Pedro, Tiago e Diogo


Nomes femininos 

  • Ana
  • Maria
  • Inês
  • Mariana
  • Joana
  • Beatriz
  • Sara
  • Catarina
  • Carolina
  • Daniela
  • Matilde
  • Leonor
  • Diana
  • Lara
  • Andreia
  • Margarida
  • Cátia
  • Marta
  • Patrícia
  • Sofia
  • Jéssica
  • Vanessa
  • Bruna
  • Tânia
  • Liliana
  • Cláudia
  • Tatiana

Nomes masculinos


  • João
  • Pedro
  • Diogo
  • Tiago
  • Miguel
  • André
  • José
  • Rodrigo
  • Gonçalo
  • Francisco
  • Ricardo
  • Daniel
  • Bruno
  • Luís
  • Rafael
  • Tomás
  • Afonso
  • David
  • Rui
  • Guilherme
  • Martim
  • Fábio
  • Carlos
  • Nuno
  • Rúben
  • Gabriel
  • Paulo
  • Hugo
  • Santiago
  • Alexandre
  • Filipe
  • Duarte
  • Jorge
  • Marco
  • Dinis
  • Simão
  • António


Os nomes estão ordenados pelo somatório do maior para o menor número de registos. Se se interessa pela popularidade dos nomes em Portugal, não deixe de consultar os rankings dos últimos anos, exclusivos do Nomes e mais Nomes!


Maria Inês

8.6.15


Há dias muito felizes e o de hoje é um desses dias inesquecíveis! Depois de horas e horas de trabalho de parto, a minha querida prima Ana Luísa deu à luz uma menina cheia de saúde! Estou tremendamente feliz pela Ana, que é como se fosse a minha irmã do meio, e ainda mais feliz porque, depois de vários sustos ao longo das últimas semanas, o meu avô materno, com noventa anos, está todo contente com a chegada da segunda bisneta! Que sejas bem-vinda, minha querida! O nome da pequerrucha teve de ser negociado - a mãe adora Maria, o pai queria um nome curto mas com um toque mais moderno - e, consensualmente, acabaram por escolher Maria Inês! 

Sabemos bem que, individualmente, Maria e Inês [sobre o qual já escrevi um post] são muitíssimo populares e o composto não é excepção: aliás, Maria Inês é o nome composto mais escolhido pelos portugueses, pelo menos desde 2012 e, nos últimos três anos, foram registadas 1875 meninas com este nome. Por aqui já se disse tudo o que haveria a dizer sobre Maria e sobre a sua especial aptidão para os compostos; Inês é tradicionalíssimo, usa-se em Portugal desde os tempos medievais mas a sua popularidade acentuou-se sobretudo nos últimos vinte anos. É um nome curto, delicado, que não perde a frescura mas que "envelhece" bem e, como tal, o conjunto dos dois nomes funciona na perfeição. Na minha opinião, é um composto que tem tudo para se tornar intemporal e se a popularidade não entra para as contas, é uma escolha acertada! 

Pares Perfeitos Masculinos... do passado!

5.6.15


Dando continuidade ao post de ontem, aqui ficam alguns nomes de irmãos recolhidos do Nobiliário de Famílias de Portugal, de Felgueiras Gaio: 


  • Afonso & Estêvão
  • Bernardo & Isidoro
  • Diogo & Ambrósio
  • Duarte & Melchior
  • Francisco & Fradique
  • Henrique & Jerónimo
  • Henrique & Tristão
  • Gabriel & Gaspar
  • Gil & Leão
  • Gonçalo & Cristóvão
  • Gonçalo & Silvestre
  • João & Paio
  • Jorge & Fernão
  • José & Heitor
  • Lourenço & Egas
  • Luís & Bartolomeu
  • Luís & Lopo
  • Martim & Sancho
  • Martinho & Estácio
  • Nuno & Julião
  • Pedro & Inácio
  • Rui & Aires
  • Simão & Fernão
  • Vicente & Jacinto



Pares Perfeitos Femininos... no passado!

4.6.15


Nos últimos tempos tenho andado entretida com o Nobiliário de Famílias de Portugal, de Felgueiras Gaio. Podia fazer um post por dia baseado no que por lá encontro, mas hoje partilho apenas alguns nomes de irmãs que me fizeram sorrir...


  • Filipa & Apolónia
  • Isabel & Robiana
  • Joana & Eufrásia
  • Leonor & Genebra
  • Leonor & Mécia
  • Caetana & Ponciana
  • Madalena & Jerónima
  • Susana & Úrsula
  • Ana & Quitéria
  • Luísa & Perpétua
  • Luísa & Violante
  • Joana & Benta
  • Inês & Brites
  • Luísa & Bernarda
  • Luísa & Jacinta
  • Isabel & Escolástica


Amanhã vemos alguns pares de irmãos!

Egas

3.6.15


Já passou muito tempo desde a última vez que reli a coleção Viagens no Tempo, mas aquele universo fascinava-me tanto que acho que tão cedo não vou esquecer as histórias. O primeiro livro, por exemplo, aflorava a lenda de Egas Moniz, o honrado aio de D. Afonso Henriques e, a partir da primeira leitura, passei a gostar muito do nome Egas que, anteriormente, apenas associava ao personagem da Rua Sésamo.
Egas Moniz viveu entre 1080 e 1146, era filho de Múnio e Ouroana e foi casado primeiramente com uma senhora chamada Dórdia e depois com uma Teresa, sendo pai de Lourenço, Afonso, Mem, Rodrigo, Hermígio e Soeiro, e ainda de Dórdia, Elvira e Urraca... Que banquete de nomes medievais
A origem de Egas é um pouco obscura. Uns apontam-lhe raízes árabes, outros dizem que a origem é Ega e que o -S terá influência germânica, outros indicam que está relacionado com Egeas mas os especialistas não chegam a um consenso. Para mim, é pouco importante. Gosto de Egas pela sua ligação emocional ao início da história de Portugal e, se o usasse, seria sempre com o aio Egas Moniz no pensamento. Lembremo-nos ainda de António Caetano, prémio Nobel da Medicina em 1949, que era conhecido como António Egas Moniz porque, ao que tudo indica, era seu descendente. 
Egas não consta da lista de nomes aprovados ou proibidos em Portugal, e não é um nome nada habitual mas eu cheguei a conhecer um da minha idade e é também o nome de um dos filhos do fadista António Pinto Basto. Em 2013 foi registado um menino com este nome e em 2011 foi registado outro. Apesar desta impopularidade e de reconhecer que não é um nome muito apelativo, eu acho-o muito interessante! 

- Duelo de nomes -
Diego vs Enzo

2.6.15



Os portugueses tendem a escolher nomes que reflectem a sua cultura e a sua língua. Podemos argumentar que a existência de uma lista de nomes proibidos baliza este comportamento mas, em bom rigor, há vários nomes aprovados que são normais noutras línguas e nem por isso se tornam apelativos para a esmagadora maioria. 

Ainda assim, há sempre excepções e, no top 50 de 2014, no meio de tantos nomes clássicos e tradicionais, é possível encontrar Diego e Enzo. Um remete mais para o castelhano, o outro para o italiano, mas ambos acabam por funcionar em português. São curtos e com um ar moderno, a grafia é intuitiva, e são familiares à geração que hoje está a escolher nomes.
Curiosamente, entraram os dois no top 100 no mesmo ano, em 2002. Na altura, Enzo, com 80 registos, era um pouquinho mais popular do que Diego, que se ficava pelos 60. Mas, dois anos depois, a situação inverteu-se; a popularidade de Diego aumentou significativamente todos os anos, ocupando agora a 26.ª posição do ranking e ultrapassando a fasquia dos 500 registos  [595], enquanto que Enzo está mais atrás, na 40.ª posição, com 248 registos. 

O que acham destes nomes? A popularidade atual surpreende-vos? Qual deles preferem? Não deixem de votar!


Resultado da sondagem


Nomes populares em Portugal
- Nomes mais registados em 1997 -

1.6.15


Hoje celebra-se o Dia da Criança mas, felizmente, os nomes mais populares entre os bebés portugueses nascidos nos últimos anos são sobejamente conhecidos e já foram alvo de extensas análises por aqui. Pensei então que seria interessante olhar para os nomes populares do ano daqueles que este ano atingem a maioridade... 


Nomes mais registados em Portugal, em 1997


Sem surpresas, João & Ana eram os nomes mais escolhidos para os bebés de 1997. Nesta altura, Rodrigo andava pela 28.ª posição, Afonso era 39.º e Martim era o centésimo do ranking! O top 10 masculino apresenta muitas diferenças face ao de 2014, repetindo-se apenas João e Miguel. Deste lote de 20, o nome menos  popular em 2014 foi Paulo, que agora ocupa a 57.ª posição mas, a maioria deles, ainda está no top 50.
No ranking feminino, o top 10 é mais semelhante [cinco nomes mantêm-se]; Andreia e Patrícia estão na 82.ª e 94.ª posição, respectivamente. O pior resultado ficou a cargo de Cátia, que abandonou o top 100. Olhando para os nomes mais populares de hoje, verificamos que Leonor ocupava a 62.ª posição, Lara a 71.ª, Matilde era 74.ª e Carlota era o número 100!
Na lista dos que obtiveram apenas um registo em 1997 podemos encontrar Maiara e Safira, que hoje estão no top 100. 

Nomes especiais - Oceano & Oceana

28.5.15


Gosto muito de escrever sobre nomes que considero especiais mas reconheço que são nomes arriscados. Se, por um lado, o facto de serem quase sempre literais ajuda a explicar parte do seu encanto, por outro, essa mesma particularidade que pode fazer com que um nome seja visto como excessivo. Não tenho o hábito de destacar nomes pela negativa mas considero Diva um desses excessos. Não pela associação a deusa ou a uma mulher fabulosa, mas porque o termo também é usado pejorativamente e é aqui que estabeleço o meu limite. Fora isso, tenho especial carinho por estes nomes e fico feliz por perceber que, em 2014, foram registadas mais de 500 meninas com nomes do estilo de Luz, Serena ou Oceana

Não há que enganar: Oceana é o feminino de Oceano, que tem origem no grego Okeanós e cujo significado é "grande rio que rodeia a terra". Na mitologia grega, Oceano era um Titã, casado com Tétis - o mesmo Oceano que está representado na Fontani di Trevi, em Roma. Já se sabe que os nomes mitológicos ganham sempre pontos extra por aqui, mas se lhe acrescentarmos a inevitável ligação ao Atlântico e à Época dos Descobrimentos, Oceano praticamente rebenta a minha escala de nomes especiais. 
Quanto a Oceana, confesso que não me cativa da mesma forma por ser "apenas" a versão feminina de Oceano, mas não deixa de ser um nome apelativo e, sabendo que as escolhas dos nomes masculinos são bem menos expansivas, parece-me que tem maior potencial para agradar e compreende-se que tenha sido registado seis vezes em 2014, enquanto que não houve nenhum registo de Oceano! 
 

Cid

27.5.15


Muito antes das canções de José Cid entrarem no ouvido de todo e qualquer português à face da terra, algures no século XI, a Península Ibérica respeitava Rodrigo Díaz de Bívar, um cavaleiro castelhano que, às ordens de Sancho II de Castela, se tornou numa lenda, depois dos seus feitos terem sido imortalizados no poema medieval Cantar de Mio Cid. Na altura, Bívar enfrentava os mouros e parecer ser precisamente essa a origem do seu cognome - Cid - que, através da expressão al-Sid significa "o Senhor". 
Apesar de encontrarmos Cid nos livros portugueses sobre nomes e de, neste momento, ser um nome que faz parte da memória colectiva dos portugueses, creio que nunca foi comum em Portugal e em 2014 foi apenas registado duas vezes. 
Percebendo o seu contexto, acho que poderemos encaixá-lo junto de outros nomes medievais portugueses, como Iria, Luzia ou Romão. Ou seja, apesar de não ser comum, é perfeitamente reconhecível. 


Alternativas a Anita? E Martine não conta...

26.5.15


Agora que já consegui superar o trauma de saber que a Anita ia mudar de nome, e a pedido das leitoras, é chegada a hora de finalmente conversarmos aqui sobre o assunto. Já toda a gente percebeu que a mudança faz parte de uma estratégia e que Martine é, de facto, o nome original da personagem, mas o apego emocional à colecção da Anita fez com que muita gente se sentisse um pouquinho ultrajada. 
Não pondo em causa a competência dos profissionais que tomaram esta decisão, não posso deixar de me juntar ao coro de indignados, até porque eu sou uma das Anas que recebiam livros da Anita em todas as celebrações e ainda hoje guardo os meus exemplares com muito carinho! Choque maior, só se as autoras de O clube das Chaves decidissem mudar os nomes das suas personagens! [Choque, choque, tive agora mesmo, ao pesquisar os nomes originais das personagens de Os cinco, percebendo que a Zé britânica era Georgina aka "George", que maravilha!]. 
É evidente que, como interessada na temática dos nomes próprios portugueses, é a alteração para Martine que me deixa muito pouco satisfeita. Se uma das razões para a mudança fosse a vontade de atribuir um nome mais contemporâneo à personagem, eu seria a primeira a achar a ideia deliciosa. Já estou a imaginar as redes sociais inundadas com sugestões de alternativas mais portuguesas mas, assim, resta-me encolher os ombros e pensar que se perdeu uma oportunidade de renovar a relação dos adultos com estes livros... 

Se tivessem tido a oportunidade de escolher o novo nome da Anita, quais seriam as vossas sugestões? E, já agora, têm sugestões para a alteração de outras personagens icónicas da vossa infância? 


[Anda por aí alguém que ainda se lembre do tempo em que os posts deste blog eram ilustrados com imagens da Anita? Seis anos começam a parecer uma eternidade!!]

Nomes curtos para meninas
- Inspiração Americana -

25.5.15


O ranking de nomes mais populares nos EUA divulgado há umas semanas é um guilty-pleasure que me inspira bastante mas sei que muitos daqueles nomes que tanto me enchem o nome não fazem tanto sentido quando transpostos para a realidade portuguesa. Ainda assim, olhando para a lista de registos norte-americana, é possível encontrar alguns nomes que estão fora do nosso top 100 e que até seriam agradáveis de escutar numa bebé portuguesa [com os ajustes impostos pela lista do IRN, claro]. Hoje começamos com os nomes curtos: 


  • Ária
  • Ásia
  • Bela
  • Cloé
  • Élin
  • Laila
  • Lana
  • Lea
  • Lila
  • Maia
  • Marli 
  • Mila
  • Nina
  • Reina
  • Zahra


O título diz tudo: vai para aqui uma miscelânea de culturas e nenhum destes nomes parece propriamente português mas são aprovados e também não andamos todos à procura do mesmo, não é verdade? 

Duelo de segundos nomes
- Lis vs Victória -

22.5.15


Em Janeiro, ao fazer a análise dos nomes compostos registados em Portugal em 2014, não pude deixar de destacar a popularidade de Vitória e Victória. Não foi tanto pela novidade, já que os resultados de 2013 mostravam que, juntos, chegariam à 14.ª posição no ranking dos segundos nomes mais registados, mas mais pela confirmação de que, de facto, estamos perante um nome que vem ganhando a preferência dos portugueses, no que respeita aos segundos nomes. 
Por outro lado, Lis & Liz destacam-se cada vez mais como tendência, mas isso ainda não se reflecte muito no número de nomes efectivamente registados. Lis foi apenas usado seis vezes e Liz foi registado 20 vezes. Apesar de não ter dados nenhuns onde me basear, parece-me que este fenómeno também ocorre no Brasil, já que vejo inúmeras referências a Vitória e Liz e aparecem constantemente nas listinhas de sugestões.

Os nomes em questão são muito diferentes e também me transmitem sensações antagónicas: acho que Vitória funciona muito bem como segundo nome porque enriquece o primeiro, tornando-o mais forte e, até, mais clássico, enquanto que Lis me parece ideal para tornar os compostos mais frescos e delicados. 
É claro que a resposta dependerá do estilo de nomes que se aprecia mais mas cá fica a pergunta: qual destes nomes preferem, como segundo nome? Não deixem de votar! 


Nomes compostos com Lis & Liz registados em Portugal, em 2014: 

  • Alana Liz
  • Ana Lis
  • Clara Lis
  • Cláudia Liz
  • Diana Liz
  • Eva Liz
  • Íris Lis
  • Isabela Liz
  • Lara Lis
  • Lara Liz
  • Lisa Liz
  • Luana Liz
  • Lúcia Liz
  • Luísa Liz
  • Mafalda Liz
  • Margarida Liz
  • Mariana Liz
  • Matilde Liz
  • Mirela Liz
  • Nina Liz
  • Rita Liz
  • Sofia Liz
  • Vera Lis
  • Victória Liz
  • Violeta Liz

Atualização - resultado da sondagem:


Breno

21.5.15


Bruno foi um dos nomes mais populares dos anos 80 e, em meados dos anos 90 rondava os dois mil registos anuais. Hoje, cenário é bem diferente [184 registos em 2014] mas ainda se ouve em meninos e Bruno está no top 50 de nomes mais registados em Portugal. Apesar de estarem separados apenas por uma letrinha, Breno não tem tradição absolutamente nenhuma em Portugal. 
Ao que tudo indica, Breno é um nome de origem galesa e significa "corvo". Chega-nos pelo latim Brennus, nome de um chefe gaulês que conquistou Roma e cujos atributos foram influenciando o significado que, por vezes, é apontado como "chefe". Da mesma forma, Bran, figura da mitologia Celta também ajudou acrescentar "rei" ao rol de significados veiculados. 
O nome chegou-me sempre por intermédio das novelas brasileiras e isso criou-me a ilusão de que, de certa forma, seria um nome frequente no Brasil, o que não parece corresponder à verdade. Usa-se, sim, mas não é um nome popular. Ainda assim, ficou na 39.ª posição no ranking relativo aos nomes mais registados no Estado de S. Paulo, em 2014, repetindo o resultado de 2013 e aparece na 65.ª posição do ranking elaborado pelo Baby Center do Brasil. 
A semelhança com Bruno acima mencionada poderia funcionar como um tónico para Breno mas parece-me que produz o efeito contrário, tornado-o mais estranho do que propriamente apelativo. Não o considero um mau nome, pelo contrário, tem uma sonoridade agradável, é fácil de pronunciar e de escrever e parece-me uma alternativa mais do que válida para aqueles que gostam de Bruno mas que o consideram demodé!